Poucas coisas me entediam mais no cinema contemporâneo do que a disputa entorno do M Night Shyamalan (e falo isso como alguém que já defendia o cara quando a Contra escrevia isso). A sua abordagem tarkovskyana de certos arquétipos de gênero parece irresistível para certo tipo de cinéfilo e irritante para outros tantos e a se cria uma discussão onde ambos os lados parecem cegos para os defeitos e/ou qualidades do filme (por exemplo, não me parece ter nada de errado com os atores de Fim dos Tempos como alguns reclamam, o que não significa que ele entrou para o pequeno clube de cineastas capazes de controlar John Leguizamo).
Fim dos Tempos é um filme mais básico do que seus outros trabalhos recentes, o que é bastante positivo. No seu melhor Shyamalan consegue uma clareza de imagem com poucos paralelos hoje (Mallick, Apichatpong) e este filme novo dá para ele bem mais oportunidades nesse sentido do que a gordura autoral de A Dama na Água. Há algo na dramaturgia rala e nestas imagens precisas que conectam dento do sentimento de pós-civilização embutido na situação básica do filme. Por outro lado, estamos longe de um filme de todo redondo, as seqüência de suicídio traem a impressão de que Shyamalan se deixa levar demais pela possibilidade de poder trabalhar mais a violência (especialmente quando quebra seu preciso foco narrativo sem grande razão para acompanhar o destino do personagem de Leguizamo).
Dois belos filmes em cartaz: A Questão Humana e Cinturão Vermelho.
Na atualização nova da Paisà tem textos meus sobre ambos (na verdade no caso do Questão Humana um artigo sobre o cineasta). Mas o destaque mesmo é o texto do José Oliveira sobre Fim dos Tempos (que eu ainda não vi).
Alguns links interessantes do periodo que não atualizei:
Moving Image Source é um recem-lançado website editado pelo Dennis Lim (que costumava editar a seção de cinema do Village Voice quandio ela era muito boa), o time de colaboradores (Chris Fujiwara, Jonathan Rosenbaum, Dan Sallit) é excelente e o cardapio da primeira atualizaçaõ bem variado.
Falando em Rosenbaum, ele tem um artigo bem longo sobre Cassavetes no seu site.
E no New York Times, J. Hoberman tem um ensaio sobre a recepção crítica de Monsieur Verdoux.
Desculpem pelo completo abandono do blog nas últimas semanas, mas entre meu PC pifar e eu praticamente não ir ao cinema, ficou díficil de escrever muita coisa.
Enquanto isso se o blog anda parado, a Paisà esta a todo vapor e segue com as suas atualizações semanais sempre as quartas, na desta semana criticas de Corpo e Valsa para Bruno Stein, alem de algun s textos de música.
E não percam o belo - se é que é honesto descreve-lo assim - filme do Sidney Lumet.
Ele falou que o filme deverá ter lançamento nos cinemas em outubro, que a Europa não o mandará direto para vídeo e que de fato o lançamento caro de PLANETA TERROR (sem retorno) assustou bastante a distribuidora. Sugeri que o dinheiro de Piaf ajudasse Tarantino, Charles brincou lembrando que "são caixinhas diferentes".
Então o filme do Laurent Cantet ganhou, como grande fã do L'Emploi du Temps fico contente no escuro até ver o filme. É o primeiro filme francês a ganhar lá desde a palma polêmica de Sob o Sol de Satã em 87, quando Pialat foi muito vaiado (devo dizer que compreendo ambas as reações já que o filme do Pialat é admirável, e acoragem do juri idem, mas é também um dessesfilmes que você assiste pensando é isto não está funcionando, mas fodaele estar tentando mesmo assim).
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Steven Spielberg,08)
Por vezes se assemelhando menos a um filme do que a uma coleção de cenas icônicas, quer dizer até o momento em que o filme resolve se assumir como a versão/seqüência/revisão de Contatos Imediatos do Terceiro Grau que Spielberg tateava há muito tempo. Uma decisão a primeira vista estranha, masque dá mais foco ao filme do que os filmes originais tiveram. Não é sem seus problemas (Cate Blanchett engole toda energia de cada seqüência em que ela aparece, o CGI na segunda parte por vezes incomoda, há um par de cenas constrangedoras com o pobre Ray Winstone cuja presença em cena para se justificar exclusivamente por Spielberg ou Lucas quererem trabalhar com ele, etc.), mas tem muitos momentos inspirados em especial a perseguição de motos e a seqüência com o teste nuclear que é primorosa (e ainda termina com uma referencia ao Tsui Hark). Spielberg menor, mas bem melhor do que o filme de interesse exclusivamente nostálgico que uns e outros prefeririam, e de certo na média da série.
Vendo o Luz Silenciosa fiquei pensando em muita coisa (fácil, já que o filme não tem uma única cena que despertou meu interesse). É incrível como Reygadas tenta se filiar a uma bela tradição (a de Dreyer, Mizoguchi, King Vidor) via uma série de significantes, mas como seu filme me parece a antítese deles. É transcedentalismo de supermercado. Todo emprestado de filmes melhores, sem nenhum sentimento que não seja manufaturado. Mise en scene frustrada justamente pela forma que soa sintética. O formalismo do Reygadas é muito bobo: a cena que para mim resume o filme é ver o homem em desespero carregando o corpo sem vida da esposa num plano aberto com uma estrada no topo onde um bando de carros seguem cortando a tela em alta velocidade, detalhe que cria um suposto efeito estético “legal” mas que arruina qualquer força que a cena pudesse ter. O filme termina com uma ressurreição morta, pois calculada, quando só com entrega e crença absolutas tal momento pode ganhar vida.
This morning I headed over to the Palais Stephanie for the opening film in the "Director's Fortnight" sidebar: "Four Nights with Anna," the first film in 17 years from the great Polish director Jerzy Skolimowski, who mostly has spent his time recently acting (he was Naomi Watts' racist Russian uncle in "Eastern Promises"). The film's small, bleakly funny, quite sad, and beautifully controlled -- a tale of peeping-tom passion about a hospital handyman who drugs his favorite nurse's nighttime tea so he can sit and watch her as she sleeps. Creepy, yes, but the film teases the pathos and even nobility out of this wretched man. I found myself riding the elevator down to the screening with Skolimowski, searching for the pocket theater in confusion before he finally buttonholed a security guard and said, "Where's the movie? I'm the director!" Maybe we were lost, but his career's been found again -- nice to have him back.
O Cineclube Equipe, projeto sem fins lucrativos do Instituto Equipe Cultura e Cidadania, realiza neste sábado 17 de maio de 2008 a quarta sessão do Panorama Experiências do Cinema. O tema da sessão é o cinema de Jerry Lewis: será exibido às 16h, o filme O Terror das Mulheres, escrito, dirigido e estrelado pelo comediante norte-americano Jerry Lewis. Às 18h, haverá debate que abordará a obra do comediante hollywoodiano sob o ponto de vista do cinema experimental, com os críticos Francis Vogner dos Reis e Paulo Santos Lima. Serão disponibilizados livros para consulta e murais informativos sobre o tema, além de venda de apostilas com textos de apoio ao panorama e sorteio de livro. A sessão tem colaboração sugerida de R$4,00 e acontece no auditório do Colégio Equipe (R. Bento Frias, 223 - Pinheiros, São Paulo/ tel. 3814-2188).
O novo site da Paisà está no ar. A partir de agora com atualizações semanais. Muito conteudo e uma página de navegação bem mais prática.
Entre os conteudos desta primeira atualização temos Francis Vogner falando do novo Woody Allen e também A Idade da Terra, o último Rohmer por Luis Carlos Oliveira Jr, entrevista com Andrea Tonacci, amplo cobertura das estreias do circuito (de Condor ao Homem de Ferro), vários lançamentos em DVDs (Kieslowski, Kiyoshi Kurosawa, Ben Affleck), um tops de filmes de cineastas americanos realizados na Europa, e uma seção de discos renovada (inclusive com a estreia do Tiago Superoito entre seus colaboradores).
As minhas próprias colaborações incluem criticas de Falsa Loura, Speed Racer, Margot e o Casamento e da caixa de blaxploitation da Magnus Opus.